Nossos Cantinhos tem o prazer de apresentar à todos...
Célia Regina Bosco da Silva

 

Em primeiro lugar quero agradecer esta oportunidade.

Nunca imaginei que seria convidada a um evento desses.

É uma sensação maravilhosa e muito gratificante saber que pessoas tão distantes lhe dedicam uma amizade tão profunda, em um mundo onde um quer passar por cima dos outros.

Aqui na lista dos Nossos Cantinhos isso nunca aconteceu.

Bem, vou tentar falar de mim. Espero que meu relato traga animo e coragem para alguém.

Sou uma pessoa normal. Eu acho.

Gosto muito de música romântica, filmes tem que ser de romance também, adoro as cores azul royal, verde musgo e salmão.

Meu perfume preferido é o Biografia feminino da natura.

Não suporto falsidade, egoísmo e mentira.

O que mais me magoa é ver minha mãe sofrer.

Tenho 39 anos e sou casada a 22. Fazem 20 anos que estou em São Paulo.

Hoje moro em Arujá, SP em uma chácara que é uma benção. Adoro morar aqui.

Quando vim para São Paulo com meu marido, deixei em Londrina - Paraná, toda minha família.

Minha mãe Edna, meu pai Walter e quatro irmãos, Sandra, Silvio, Sérgio e Silvia. Sou a mais velha.

Nunca tínhamos antes nos separado. Mesmo depois de casada, sempre morei perto deles.

Somos uma família muito unida.

Mas como Deus é muito Bom, depois de um ano e meio, estávamos todos juntos novamente. Todos se mudaram para São Paulo.

Estávamos novamente juntos e mais unidos do que nunca.

O tempo que ficamos afastados valeu para nos unir ainda mais.

Sete meses depois de casada soube que não poderia ter filhos. Meu marido tem um problema genético que impossibilita isso.

Foi doloroso, mas juntos decidimos que adotaríamos assim que aparecesse uma criança.

E esperamos quatro anos e meio. No dia 15 de agosto de 1986, nascia meu primeiro filho, Willy Arthur.

Eu não sabia que ele nasceria. Já pensava até que nunca seria mãe. Foi uma surpresa total quando meu marido me ligou dizendo que tinha nascido uma criança e estavam nos chamando para adotá-lo.

Quando soube do seu nascimento estava trabalhando e na hora larguei tudo para conhecer aquela criança que seria minha.

Só vim saber o sexo quando cheguei no hospital. Lá me falaram que era um menino lindo.

Nunca fizemos discriminação de cor, sexo ou raça.

Duas horas depois eu já estava com meu filho nos braços. Lindo. Que sensação maravilhosa. Um ser tão pequeno e tão dependente de mim. Quando Willy estava com um mês, ficou doente. Nós o levamos ao médico e este dizia que o menino não tinha nada. Depois de 3 dias precisei internar meu filhinho, com desidratação e infecção no intestino. Quando chegamos ao hospital, ele nem respirava mais, foi o pior dia da minha vida até então. Mais uma vez Deus se fez presente e oito dias depois Willy tinha alta. Hoje é um rapaz muito bonito. Tem uma banda de rock e faz muito sucesso com as meninas apesar de já estar namorando firme.

O tempo passou e nunca perdi a vontade de ser mãe novamente. Sempre senti meu coração aberto para mais um.

Quando Willy estava com quatro anos ficamos sabendo de uma moça que seria mãe mas não poderia criar a criança. Foi uma reação imediata. Aquela criança seria minha. No início muita gente não concordava pq a mãe biológica era negra. Mas eu não estava nem ai. Isso para nós não tinha importância. Esta minha "gravidez" foi bem diferente da do Willy. Tive cinco meses para preparar o enxovalzinho. Acompanhei a gravidez, fiz muitos planos. Enfim no dia 14 de Janeiro de 1991, nascia Weslley. Um menino forte, gordo e muito bonito. Foi a segunda maravilha na minha vida.

Pronto. Agora já tinha dois filhos. As duas razões da minha vida.

Tudo ia muito bem. Meus filhos cresciam lindos e sadios. Quando Weslley tinha sete meses, acordei com ele chorando muito.

Quando acendi a luz do quarto, vi que ele estava lavado de sangue. Fiquei paralisada por um instante, depois corri até ele e sem saber o motivo daquilo, comecei a gritar, peguei meu filho no colo e do jeito que ele estava, cheio de sangue, corremos com ele para o hospital. Exames foram feitos e descobriram que ele é portador dos traços da Anemia Falciforme. Uma anemia que só dá em descendentes de negros.

Mais uma vez Deus na sua infinita misericórdia estava ao nosso lado. Essa anemia para quem tem a doença mesmo, não passa dos sete anos. Graças a Deus meu filho só tem os traços. Hoje é um lindo menino. Joga futebol e é muito esperto. Faz tratamento e exames de ano em ano para controlar a falta de ferro ou cálcio. Ele joga bola e está na escolinha do São Caetano aqui em Arujá.

Bem. Tudo caminhava muito bem. Então quando Willy estava com oito e Weslley com quatro, resolvemos adotar novamente. Mas desta vez eu queria uma menininha. Mas isto demorou muito. Minha irmã Sandra conheceu uma moça que daria a luz e estava em contato com ela sem que eu soubesse. Ela ia me fazer uma surpresa. Mas no dia 02 de Dezembro de 1998, minha irmã sem mais nem menos, veio a falecer aos 33 anos de idade, ela teve uma crise de asma e não agüentou. Em menos de 20 minutos ela partiu para Deus deixando duas crianças. Lucas de três anos e Giulia de um ano e meio. Foi muito difícil. Até hoje não aceito. Enfim, perdi a chance de ser mãe novamente. Pois com a morte da minha irmã, não tinha como termos contato com a tal moça que só ela conhecia.

Eu pensei que as crianças ficariam comigo. Mas não ficaram. Meu cunhado achou que elas deveriam ficar com minha mãe, com quem estão até hoje. Para minha mãe foi muito bom, pois encontrou neles força para viver. Mas eu entrei em depressão profunda, e em seguida síndrome do pânico. Comecei então a me dedicar ao computador. No inicio só a noite, pois tinha conexão discada e só podia entrar na internet depois das 00:00.

Comecei puxando músicas da internet. Depois conheci uma pessoa muito legal, a Iara.

Quando não tinha o que fazer ficava olhando estes sites de poemas e admirando tanta formatação bonita.
Um dia recebi um e-mail da minha amiga Iara com uma formatação igual a tantas que já tinha visto.
Mas pensei:
Nossa... É possível enviar estas maravilhas por e-mail.
Mas como? Muitas dúvidas vieram.
Como solucionar?
Não conhecia ninguém que fizesse aquilo.
Foi ai que tive a feliz idéia de mandar um e-mail a amiga Iara, para saber se ela conhecia a dona daquele e-mail tão bonito.
Ela não conhecia, mas me passou o e-mail de Nádia Máximo.
Nem acreditei quando Iara me mandou o endereço.
Imediatamente escrevi para Nádia e perguntei se ela poderia me ensinar a fazer aqueles e-mails.
Nádia foi um doce de pessoa. No mesmo dia respondeu ao meu pedido.
Convidou-me a instalar o Paltalk.
Abriu uma sala só para me ensinar.
E desde ai, todas as noites, nos encontrávamos na salinha do Paltalk.
Era maravilhoso. Nádia com sua paciência me ensinou muito. Comecei então a formatar belos e-mails.
Tão belos que eu nem acreditava que tinham sido feitos por mim.
Não via a hora de poder entrar na internet para encontrar com Nádia e aprender coisas novas.
Foi um tempo maravilhoso. Depois com o tempo as coisas foram se complicando. O cansaço começou a bater e eu não agüentava mais ficar acordada até tarde. Os calmantes prejudicavam ainda mais.
Numa de nossas conversas Nádia me passou o endereço de um grupo chamado Grupo amigos, que tinha como moderadora a Selena. E foi neste grupo que fiquei sabendo do Grupo Cantinho. Mandei um e-mail a Helena Monteiro e pedi para me colocar naquele grupo. No início só fazia assinaturas animadas, depois comecei a fazer papéis de carta. Comecei então a esquecer um pouco da tragédia de ter perdido minha irmã.

Pelo menos nos momentos em que estava no computador a dor era mais amena.

Passava o dia todo contando no relógio a hora de poder conectar e enviar meus trabalhos.

Sempre fui muito prendada. Já fiz de tudo um pouco.

Já fui tricoteira, crocheteira, tive agencia de telemensagens, fiz painéis para aniversário, faço biscuit. Já pintei tecido. Enfim já fiz muita coisa. Mas isso quando não podia conectar durante o dia.

E depois de tantos acontecimentos na minha vida, quatro anos depois da sua morte, recebi um telefonema de uma mulher que era funcionária da minha irmã que faleceu e esta me disse que estava grávida. Ela foi direta ao dizer que queria me dar a criança, mas só se fosse menina. Por que se fosse menino, já tinha uma família que queria. Eu claro concordei na hora. Comecei então a curtir minha terceira "gravidez". Pedi a ela que fizesse uma ultra-sonografia para saber logo o sexo, pois assim eu não sofreria mais tarde. Ela fez e mais uma vez Deus estava lá. Ela estava grávida de uma menina. Foi um dia muito feliz depois de tantos sofrimentos. Seis meses depois, no dia 19 de Março de 2003 nascia Sandrinne. Linda, gordinha. Aquela criança era do jeito que sempre tinha imaginado que seria minha filha. Escolhi seu nome depois de ver o nome de uma amiga na lista. Eu queria algum que combinasse com Sandra e então apareceu Sandrinne. Não conheço esta amiga, mas gostaria muito que ela soubesse que foi ela a inspiradora do nome da minha filha. Quando Sandrinne estava com um mês precisou ser internada por estar com broncolite. Passou seis dias internada. Eu emagreci oito quilos. Sofri demais. Mas, penso que mais uma vez Deus testou meu amor por meus filhos. E se os tenho hoje comigo é porque Ele teve absoluta certeza de que os amo muito antes de chegarem até mim. Hoje não penso mais em adotar. Mas só Deus sabe o que esta por vir. Quem sabe quando a San crescer eu queira uma irmãzinha para ela. hehehehe. Ainda não sei o que Sandrinne vai ser. Talvez uma dançarina, ela adora dançar e curte todo tipo de música. Quem sabe uma médica ou simplesmente uma ótima dona de casa. Não importa o que meus filhos serão. O importante é que continuem seguindo meus ensinamentos e que sejam pessoas de bem.

Meus filhos são e sempre serão as razões da minha vida. Por eles eu mato e morro.

Esta é minha família.
 

 

Fiz três poemas para eles.
Este foi quando descobri que não poderia ser mãe..

Este antes deles nascerem.

E este depois que eles nasceram.

Sempre digo que Deus não poderia ter me dado presente maior. Pois ele me deu o dom de cuidar, amar e sentir dentro de mim o mais puro amor por crianças que não saíram de mim. Mas sim do meu coração. Esse dom é especial. Pois nós não escolhemos o momento para sermos mães, mas Deus nos escolhe. Filhos adotivos não deveriam ser chamados de adotivos mas de escolhidos pelo amor de Deus. Tenho muitos defeitos, mas acredito ser uma ótima mãe. Se não o fosse Deus não me presentearia por três vezes, não é mesmo?

Nunca sai dos grupos que aqui participo. Aqui recebi e recebo apoio de todas as amigas. Estamos passando pela última etapa da adoção e sempre compartilho com minhas amigas o que está se passando e juntas formamos uma imensa corrente de oração. Já melhorei muito da depressão. Pânico não tenho mais. E devo tudo isso a minhas amigas de grupo. Elas sempre têm as palavras certas para nos dar ânimo e nos trazer alegria. Quando recebi a notícia que Helena nos ensinaria a montar um site, foi o máximo. Helena fez com que o sonho de muitas de nós se realizasse.

Apesar de ser muito nova ela é nossa mãezona. Sempre disposta a passar para frente tudo o que sabe, está sempre nos ensinando algo novo.
Nunca nos cobra nada e sabe que o único pagamento que terá é nossa amizade, nosso carinho e nossa gratidão eterna. Neste mundo virtual, conheci verdadeiras amizades. Realizei e continuo realizando sonhos.

Só lamento que ainda ajam pessoas que não sabem dar o verdadeiro valor ao mundo virtual. Enquanto outras nem sabem, ou nem imaginam que isso é possível e o quanto isso é bom.
Hoje tenho mais tempo para participar das listas. Posso passar o dia todo conectada. Mais uma tecnologia chegou a mim. O Speedy. Para mim é muito bom. Passo horas aqui na frente desta telinha e não me canso.

A cada e-mail, a cada formatação, a cada pedido de ajuda, procuro estar sempre atenta.
Fico muito feliz quando vejo que pessoas dos grupos que participo têm mais de 50 anos. Isso me dá muita força.
Além de mostrar que não existe idade para se aprender.

Deixo um grande beijo a todos, os meus amigos e amigas deste mundo virtual mas real.

Cada um do seu jeito, da sua maneira contribuem um pouquinho para que a amizade virtual seja cada vez mais real. E por mais que eu tente, nunca conseguirei expressar todo o sentimento de amor e carinho que tenho pelos cantinhos e também por meus amigos virtuais tão reais.



Célia Regina Bosco da Silva - rbscelia@terra.com.br