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"Existimos: a que será que se
destina?
Pois quando tu me deste a rosa
pequenina
Vi que és um homem lindo e que se
acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima
nordestina
Apenas a matéria vida era tão
fina..." |
Início da década
de 50 (não digo quando... hehehe), num subúrbio
pobre (e nordestino) do Rio de Janeiro nasce a
quarta filha de um casal de migrantes alagoanos.
Veio ao mundo pelas mãos de uma parteira. Uma
dessas mulheres anônimas, solidárias e
fabulosas.... de uma outra época, um outro
tempo... sem filas de INPS ou "planos de saúde".
Minha mãe contava - com leve sorriso maroto e ar
de gratidão sobre a "comadre Alzira" - uma
portuguesa amiga da família - que colocara suas
jóias no primeiro banho da recém-nascida para
que essa fosse sorteada com uma grande
fortuna.
Bem.. ainda não ganhei na loteria, mas de certa
forma os desejos da madrinha não foram em vão: a
vida brindou-me com verdadeiras pérolas, amigos
queridos que tenho encontrado no decorrer desta
trajetória :))
Talvez.. deste início de matéria vida, venham as
primeiras identificações com a origem nordestina
e o povo português (não só pela comadre, como
pela minha avó paterna).
"Minha história é
este nome que ainda hoje carrego comigo..."
Meu nome é Zoia Sales Cavalcante
Antes que perguntem, "Zoia" é nome mesmo.
Recebi-o de meu pai em homenagem a uma heroína
russa que lutou contra o nazi-facismo, na
Segunda Guerra Mundial.
É muita responsabilidade levar o nome de uma
guerreira, não é?
Como toda mulher... sou guerreira e tinhosa...
hahahahaha
Não bastasse o nome, ainda vim ao mundo sob o
signo de Leão... (precisa dizer mais ? )....
temperamento forte e decidido.... em resumo:
"ossinho duro de roer", mas compensado por um
imenso amor e dedicação com que abraço as causas
pelas quais me apaixono. É assim com tudo o que
faço.
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Mal
tinha completado um ano de idade a
família muda-se para São Vicente
(SP) onde passei a primeira
infância.
Aos 7 anos estávamos de volta ao Rio
de Janeiro - só que para a cidade de
Niterói onde vivi grande parte da
vida num bairro operário do qual
guardo as melhores lembranças.
Tive a sorte de crescer num ambiente
comunitário como é hoje ainda o
interior do país: com brincadeiras
de rua, bailes nos fins-de-semana,
matinês no precário cinema do
bairro, praia, festa junina,
carnaval, a casa sempre cheia (somos 8
irmãos) de amigos... com
todos os namoricos (e grandes
paixões) a que tive direito.. :))
Sempre gostei de estudar. Acabei
ingressando na Federal Fluminense e,
embora com formação profissional em
Engenharia Civil, sempre fui
"professora por vocação".
Continuo uma eterna aprendiz... |
A alegria de ser mãe
Casei-me em
Campinas (SP) onde nasceu meu único filho
Rodrigo, atualmente com 23 anos e, em breve,
mais um profissional diplomado na área de
informática.
Romperam-se os laços do matrimônio, mas ganhei
uma outra família (a do ex-marido) que conservo
com muito carinho até hoje.
A vinda para o Sul (para assumir o cargo
público) deixou-me longe da família e do meu
amado Rio de Janeiro, mas me trouxe mais dois
filhos que vieram morar conosco e aqui estudar:
Jackson, amigo de meu filho desde a infância e
Vanessa, minha sobrinha. Acabei sendo mãe de 3
(três) adoráveis adolescentes.
Jackson e Vanessa estão formados nas escolhas
que fizeram... e seguem seus caminhos.
Não foi fácil vê-los saírem das "minhas asas"
.... mas é o ciclo necessário do crescimento, da
mudança e renovação...
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Rodrigo, Zoia, Vanessa e Jackson
em outubro de 2003 |
Tristezas? Perdas? Decepções?... claro.... deixemo-las
guardadinhas no baú da nossa história
individual.
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Trago
em mim o peso daqueles que
adquiriram consciência social,
a tristeza e o idealismo dos poetas
e, apesar disso (ou por causa
disso), uma enorme garra pela vida.
Amo o mar...
Amo a música,
A dança e todas as formas e
manifestações culturais.
Amo o meu país e meu povo mas -
acima de tudo -
Amo a humanidade e confio que esta
ainda construirá um mundo mais
fraterno e mais justo.
Embora em tempos de calmaria, minha
alma cigana permanece inquieta...
Eu vim para construir... |
Faz cerca de 10
anos, Rodrigo colocou-me diante da Internet (ele
ia para os EUA e precisávamos manter contato) e, assim, ingresso neste mundo
fantástico e tão controverso.
Em janeiro de 2003 escrevi à Helena pedindo vaga
num curso de PSP (sequer sabia direito o que
era). Mal tinha encerrado o Nosso Cantinho
Iniciante, Maristela soube que eu brincava um
pouco com os scripts e vem daí a proposta do
Cantinho da Formatação.
Costumo dizer que o Cantinho da Formatação ganhou uma madrinha
(Maristela) e eu ganhei mais uma família: todos
esses amigos queridos que aprendi a conhecer um
pouquinho mais e a amar como se estivessem aqui
do meu ladinho...
Minha irmã Nastia esteve em Floripa no início de
2004 e me viu tão empolgada que não resistiu: está no Grupo Cantinho
também partilhando o convívio com essa grande
família.
2 anos e meio.. o Cantinho da
Formatação já tem uma história de amor, doação e
dedicação.
São muitos momentos de alegria e carinho...
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Encontro do Rio - março 2005 |
São
Paulo - março 2005 |
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Alguns
parágrafos atrás eu falava de ciclos
e renovação...
Para mim é momento de encerrar mais
um ciclo: neste mês de dezembro
afasto-me da coordenação do CF, mas
continuarei ligada ao grupo.
Não há razão para tristezas, muito
ao contrário. Aprendi muito, ganhei
novas experiências de vida.. além de
muitos amigos queridos - a começar
por Helena e Maristela - primeiras e
constantes companheiras.
As meninas do CF, companheiras de
equipe e amigas queridas: Aída
Laura, Ana Branco, Anete, Célia
Rennó, Cristina Guedes, Guila, Itaci
Caldeira, Lurdes Forni, Margareth
Ribas, Mari Carminatti, Maria Lucia
(Lusman), Renny, Rivkah, Simonna e
Zélia.
O grupo fraterno de moderadores dos
diversos Cantinhos...
E todos os demais amigos queridos
(não serão citados, mas se
reconhecerão aqui), que estiveram
partilhando momentos de suas vidas
nestes dois anos e meio...
A
todos.. os meus mais sinceros
agradecimentos. |
Para finalizar, deixo o meu sorriso e uma mensagem
de coração...

Penso que não é possível a felicidade absoluta e
permanente
Mas nada é mais maravilhoso que o milagre da
vida...
Que a cada amanhecer você se renove como a
natureza.
Que a poesia, a música e a sensibilidade estejam
sempre presentes,
Bem como a força necessária do silêncio...
Desejo-lhe a espontaneidade dos afetos,
tanto no dar, quanto no receber
E a compreensão de que é preciso semear para
colher...
Mesmo que o fruto não esteja maduro no nosso
breve tempo.
Que esteja em PAZ consigo
E, principalmente,
Que NUNCA abdique do direito de sonhar...
Feliz Natal a todos!
Zoia - Dezembro 2005
zsales@floripa.com.br |